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Visita a exposição de MacCurry e Av. Paulista em São Paulo

Benites, Nascimento e Fran na exposição de MacCurry no Instituto Tomie Otaki em São Paulo

Vista parcial da avenida Paulista

Durante um período de algumas semanas demos um tempinho nas Saidinhas Fotográficas que vinham sendo uma constante envolvendo o amigo Benites e o Nascimento… Tivemos também outros amigos que ao longo do ano se juntavam a nós para os cliques nestes passeios, dentre eles: Haroldo, Aristeu, Shirlei, Mônica, Marcelo Libardi, Isa, Gi, Marcio… Páramos algumas semanas com as saidinhas porque eu estive envolvido com o meu projeto de capturar imagens de atletas de modalidades esportivas que vai virar uma exposição em 2012, também por minha viagem de 15 dias ao México a trabalho. Mas, na semana passada combinei com o Benites e com o Nascimento para irmos a São Paulo e quando chegou o dia um vendaval assolou a capital impossibilitando nossa viagem.

Fim de ano chegando, tenho viagem marcada dia 22 com a família, vamos a Toscana na Itália passar o Natal e o Ano Novo, eu não poderia terminar o ano sem que fizéssemos nossa última saidinha. Decidi então chamar o Benites e Nascimento logo dizendo: “Vamos na quinta para São Paulo com ou sem chuva” e assim ficou combinado. Saímos na tarde da quinta-feira, dia 15 de Dezembro de 2011, para São Paulo com direito a uma visita a exposição do nosso grupo “Amigos da Fotografia” no Shopping Iguatemi em Campinas, “As Cores da Terra”… Por estar viajando não pude estar na abertura e precisava fazer uma visita.

Chegando em São Paulo nossa primeira parada foi no apartamento da minha filha Fabiane que é atriz e trabalha com o grupo “As meninas do conto”. Imagine passar por São Paulo sem ver minha filha isso seria um sacrilégio completo. Assim que chegamos ela nos ofereceu um lanche delicioso… Em seguida fomos visitar a exposição do consagrado fotógrafo MacCurry uma verdadeira lenda da fotografia. A exposição está em cartaz no Instituto Tomio Otaki…

Apanhamos um táxi e o que deveria ser uma trajeto de 5 minutos acabou levando mais de meia hora. Sim, eu sei, estávamos em São Paulo, sei como é…

O prédio do instituto já vale a visita, lindo, imponente, de arquitetura singular… No entanto, o que queríamos ver mesmo eram as fotos de MacCurry… Logo na entrada da exposição, como não poderia ser diferente, lá estava aquela famosa foto da afegã de olhos esbugalhamos e esverdeados com sua túnica cobrindo a cabeça.

Começamos pela ala onde mostrava as últimas fotos feitas e reveladas por um filme Kodachrome… Este filme era considerado pelos profissionais como perfeito, 11 em 10 fotógrafos profissionais sérios usavam este filme para capturarem suas fotos. A Kodak concedeu a MacCurry o direito e privilégio de usar o último rolo de 36 poses do Kodachrome… Cerca de 24 fotos deste último rolo estavam na exposição. De cores fortes, contraste acentuado, MacCurry conseguiu valorizar a honraria de ser o último a clicar com este filme. Devido a pouca demanda e pela larga utilização de câmeras digitais a Kodak aposentou o rei dos filmes o Kodachrome…

É impossível ficar distraído quando se vê uma imagem capturada por MacCurry… As fotos de pessoas tem como marca uma luz incrível na região dos olhos, cores estonteantes e uma luz natural que chega a “gritar”: “Preste Atenção…”

Consegui enxergar (penso eu…) muitos detalhes das técnicas de MacCurry usadas para as capturas as suas lindas imagens, fiquei feliz porque me identifiquei muito com a forma de expressar dele nas cores, contrastes e nas luzes (claro, sem pretensões de ser MacCurry…). No entanto a composição de MacCurry parece descuidada, muitas vezes beira ao banal… Daí então veio uma pergunta em minha mente: “Se ele é descuidado com a composição e tão lógico no enquadramento porque suas fotos são tão impressionantes e belas?”.

A partir daí passei a realizar um exercício buscando as respostas que descrevo a seguir: em primeiro lugar a maioria das fotos de MacCurry são fotojornalísticas e, neste caso, capturar o fato é o primeiro passo importante… Mesmo que a imagem não esteja 100% focada ou enquadrada, se tiver uma foto mostrando o que interessa isto é ótimo. Em fotojornalismo não existe tempo para acertar o flash, colocar luz de preenchimento aqui ou ali, pedir para repetir a cena, etc. É ver e clicar, capturar o mais importante e depois pensar em luz, cor, ângulo ideal… Claro nem todas as fotos dele foram instantâneos e com pouco tempo, algumas puderam ser melhor elaboradas, só que isso não foi a regra.

Av. Paulista

Vi algumas fotos ligeiramente desfocadas, cortes de elementos que faziam parte das imagens que me causou estranheza, elementos mal posicionados, em algumas imagens um pouco de ruído… Claro a maioria das suas imagens não se enquadram no que descrevi acima, foram capturadas com cuidado e maestria.

Então o primeiro aspecto que justifica os supostos pontos negativos de MacCurry é a falta de tempo e a necessidade de capturar o fato: fotojornalismo.

Aprofundando mais… Pude notar que as locações e pessoas das fotos são excepcionais: gente interessante, com características que diferenciam da maioria, feitas em lugares remotos da terra e com pessoas de culturas distintas. Toda a cultura e costumo diferentes destas pessoas já chamam muito a atenção. Faz ligar de imediato, em nosso cérebro, uma luz intensa… São pessoas vestidas diferentemente, com olhos, pele, as vezes usando barba, chapéu e lenço, que não tem nada ou quase nada com a nossa cultura. O talento de MacCurry vem à tona neste momento, muitos capturam pessoas diferentes e interessantes, só que o norte-americano faz dessa missão uma obra de arte. As luzes que ele usa em suas imagens algumas vezes são naturais, outras usa o flash e em muitas ele combina as duas situações: luz natural com artificial.

Suas cores são incríveis com matizes impressionantes belas… Estas cores também fazem acender imediatamente em nosso cérebro uma luz que grita: “Preste Atenção”.

O contraste em suas imagens, fundamentado em uma escala de luz que vai da mais alta luz até o preto intenso, arrebata o olhar do espectador mais uma vez. O contraste se casa harmoniosamente com suas cores e com seus personagens e lugares inusitados que as vezes impactam pelo belo, outras pelas diferenças e outras pela brutalidade.

Bingo! Cheguei ao final da minha investigação sobre o trabalho de MacCurry e do porque ele produz imagens tão belas e impactantes mesmo, as vezes, sendo banal e descuidado em suas composições.

Talvez alguém lendo este meu texto pode estar pensando: “mas, quem o Fran pensa que é para ficar analisando e comentando um consagrado fotógrafo como o MacCurry”. Sou um amente da fotografia, alguém preocupado em evoluir, conhecer novos conceitos, distinguir técnicas, melhorar e melhorar sempre… Visitar a exposição de MacCurry teve como motivos apreciar sua arte, analisar seu trabalho e conceitos, aprender com este exercício para procurar por em prática no meu trabalho. Então: Foi apenas um exercício de buscar uma evolução.

Depois da exposição voltamos ao apto de minha filha e fomos de metro até a avenida Paulista para um passeio entre os enfeites de natal. Apanhamos um metro na estação Sumaré (que esta a uns 50 metros do apto da minha filha Fabiane…) seguimos até a estação Brigadeiro. Saindo do subterrâneo do metro caímos diretamente na avenida mais cara e importante do Brasil. Muita gente, muitos carros, muita luz e vitrines decoradas. Durante quase duas horas apreciamos o movimento, clicamos torres iluminadas, pessoas e tudo isso você pode ver na galeria de fotos que foi criada.


Clique aqui para ver a galeria de fotos da saidinha fotográfica em São Paulo…